Um novo desafio
É uma vergonha! Faz muito tempo que não escrevo neste blog.
Me justifico: os últimos meses foram intensos, corridos.
A última postagem é ainda sobre a experiência no Ação. Faz quase um ano!
Para os poucos, mas fiéis interessados, confidencio alguns detalhes da minha nova etapa no jornalismo.
No fim de novembro, comecei na cobertura de mercado financeiro pela Bandnews. Tudo novo! E ainda o desafio de apresentar em fins de semana de plantão.
Quanta coisa diferente ao mesmo tempo!
Me dedicar à editoria de economia era um projeto guardado com carinho por muitos anos para o qual vinha me preparando aos poucos, sem urgência.
Mas a situação, de repente, mudou.
Precisava reunir o máximo de informações necessárias para oferecer, ao menos, o básico na cobertura, pelos boletins ao vivo.
E como as surpresas na nossa vida não acabam, me deparei com mais uma para minha sorte e felicidade. Na BM&F, os colegas das emissoras concorrentes, eram os mais solidários que já encontrei na profissão. Gente bacana, cheia de boa vontade para ajudar...
Os funcionários da bolsa também foram extremamente gentis e solícitos.
E as fontes? Economistas renomados, com anos dedicados ao mercado financeiro, dispostos a ajudar uma nervosa estreante, cheia de dúvidas e receios.
Como fui feliz na chegada. Como sou feliz neste convívio.
Mais um mito era desfeito na minha cabeça. Mesmo diante dos assuntos mais áridos, menos "humanos" como o mercado financeiro, podemos encontrar pessoas formidáveis, solidárias e carinhosas.
Lições para a vida
Neste sábado, vai ao ar minha primeira colaboração com o programa Ação. O tema me provou, mais uma vez, que nada é por acaso. Produzimos reportagens sobre esporte adaptado, com o “gancho” do Parapan.
Sempre tive afinidade com o assunto. Minha primeira experiência profissional depois de formada, antes mesmo de trabalhar em TV, foi com reportagens sobre iniciativas de portadores de deficiência para melhorias em acessibilidade na cidade de Santos. Jornal tablóide de uma única edição, oportunidade única de trabalhar com um grande amigo chamado Carlos Marão. Ele me viu ainda moleca, sem muita coisa pra fazer e cheia de vontade de trabalhar. Propôs o projeto e topei.
Não foi fácil. Faltavam experiência e fontes. Levei algumas broncas, mas o jornal saiu como o Marão queria. Contundente e marcante como ele. Onde quer que esteja, ele sabe o bem que me fez participar deste trabalho. Depois de algum tempo, comecei a trabalhar na TV Tribuna e a primeira reportagem, em 2000, foi sobre inclusão. Um menino com Síndrome de Down que estudava no ensino regular.
Em seguida, me aventurei no Vale do Ribeira e pelo interior paulista durante sete anos. Quando me deparava com pautas sobre pessoas com necessidades especiais, me dedicava com carinho extra. Não por acaso, minha primeira tarefa no Ação foi com este tema.
Vi lindos exemplos de superação. Gente que não se queixa da vida. Simplesmente, a curte da maneira mais saudável possível. A dedicação ao esporte é plena, uma entrega. Para muitos com quem conversei, o esporte é encarado como algo vital, decisivo para uma maior qualidade de vida dentro das possibilidades do corpo.
Atletas e técnicos possuem uma relação de amizade e confiança, sem tabus. As diferenças anatômicas que ainda podem causar constrangimento em muitas pessoas, são encaradas com naturalidade e, não raramente, com brincadeiras e piadinhas. Tudo muito leve, bonito, como deve ser o relacionamento entre as pessoas.
Estamos vivendo um novo momento e o Parapan reforçou isso. O conceito de deficiência está caindo por terra. Temos, agora, os diferentes. Gente que desenvolve habilidades formidáveis com os recursos de que dispõem. Gente feliz e disposta a vencer.
Marão foi o primeiro a me mostrar isso. Mesmo naquela cadeira de rodas, aquele espírito brilhante me mostrou que tudo que eu queria era possível. Me fez acreditar num sonho e lutar por ele. Sua força e determinação sempre estarão na minha memória e vão me servir de inspiração no trabalho e na vida.
Pra quem quiser conferir, o
AÇÃO sobre o Parapan vai ao ar neste sábado,
25/08, às
7h30 da manhã.
Beijos, Júlia! Sua ajuda foi fundamental!
Desenvolvimento a que custo?
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Antônio Ermírio de Moraes
aproveitou mais uma oportunidade para defender seu projeto de construção da Hidrelétrica de Tijuco Alto, na cabeceira do Rio Ribeira de Iguape, região do Alto Ribeira.
A publicação foi no caderno de economia do dia 31 de janeiro.
Antônio Ermírio faz um voto de confiança na eficácia do PAC, o Plano de Aceleração da Economia, novo pacote de medidas do governo federal para os próximos quatro anos de mandato do presidente Lula. No entanto, o empresário faz a ressalva de que o desenvolvimento requer aumento dos recursos energéticos. Ele não acena a possibilidade de outro "apagão", mas alerta sobre projetos “empacados” de construção de usinas hidrelétricas, como a que planeja construir para fomentar, exclusivamente, suas indústrias de alumínio na região de Sorocaba.
O projeto da usina de Tijuco Alto é motivo de impasse há anos entre Antônio Ermírio, ONGs ambientalistas e comunidades locais. Atualmente, está embargado pela justiça por um detalhe importante não presente na reportagem.
A justiça impediu a obra pelo impacto que causaria à região.
Inundação de grande parte das cidades históricas às margens do Rio Ribeira de Iguape e de comunidades de descendentes de escravos de quilombos, as chamadas quilombolas.
Sem falar do patrimônio histórico valiosíssimo da época colonial do nosso país que desapareceria. A água cobriria casarios e capelas de quando o ouro e alimentos eram transportados em canoas rio abaixo até um porto em Iguape e levados para Portugal.
Este legado já está tombado (ou quase) pelo Condephaat, conselho que zela pela preservação do acervo histórico e cultural do estado, e também pela Unesco, órgão das Nações Unidas que cuida do patrimônio da humanidade.
Famílias seriam deslocadas para outras regiões. Nesta desapropriação, levariam consigo a memória, a história daquele lugar.
Uma vaga idéia será possível pela reportagem com o link abaixo. É sobre algumas das comunidades quilombolas que conquistaram títulos de posse de terra do governo depois de muitos anos de luta.
http://www.youtube.com/watch?v=u47nfftm4W4
UMA EXPERIÊNCIA INESQUECÍVEL
Teoricamente, nossa profissão não oferece rotina. Aliás, foi isso que me atraiu para o ofício. Os assuntos mudam. Só os assuntos. A apuração, a cobertura e a correria são sempre as mesmas. Mas, às vezes, somos surpreendidos e participamos de fatos que marcam nossas vidas. Participação sim porque, como jornalistas, somos agentes transformadores.
Quando pesquisei reportagens antigas do meu arquivo pessoal, revi uma inesquecível da época em que trabalhava no Vale do Ribeira, no comecinho de carreira.
Era um pequeno escritório na cidade de Registro com três jornalistas, eu, o repórter cinematográfico Rinaldo Rori e o então produtor Rodrigo Vaz.
Este, pela rede de contatos rapidamente conquistada na região, descobriu que crianças trabalhavam no lixão do município.
Fomos ao local checar a denúncia. Ela procedia. Mas teríamos um grande obstáculo para a realização da reportagem: os pais dos menores ofereciam muita resistência em nos receber. Alguns chegaram a nos ameaçar. Temíamos pela nossa segurança e também em expor ainda mais as crianças. Começava aí um interessante processo de convencimento daquela comunidade. Tínhamos que fazê-la entender a importância da reportagem e as vantagens que traria para a vida daquelas famílias.
Levamos dois dias para explicar a todos como era nosso trabalho, que nenhuma criança seria mostrada e que, nossa única intenção, era ajudar. Foi muito difícil. Para aquelas pessoas, tirar os menores dali seria ter uma redução na renda familiar. Aos poucos, conquistamos um, outro e, por fim, um número considerável de pessoas que possibilitaria a execução do nosso trabalho.
Enfim, fizemos a reportagem. Aproveitamos para associar com o aniversário do ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente, que fazia 10 anos sem que todas as crianças brasileiras tivessem seus direitos garantidos.
A reportagem foi ao ar. Em contato com a prefeitura de Registro para uma resposta ao problema, tivemos a informação de que aquelas crianças seriam incluídas num programa social para ocupá-las com atividades esportivas e de recreação no período em que não estivessem na escola. Pudemos conferir o cumprimento da promessa alguns dias depois.
Em vez de catar lixo reciclável no aterro sanitário, as crianças faziam natação, esportes de quadra e participavam de brincadeiras educativas. Os pais pareciam satisfeitos, mesmo aqueles inicialmente resistentes à idéia.
Entre nossa equipe e demais pessoas envolvidas neste trabalho (contamos com a colaboração de muitos amigos) uma sensação de dever cumprido.
No fim daquele ano de 2000, ainda sensibilizados com aquela história, quisemos fazer algo a mais por aquelas famílias, especialmente pelas crianças. Desta vez, fora do trabalho e sem envolver o nome da empresa, juntamos tickets refeição para a compra de doces, panetones e brinquedos para distribuição naquela comunidade. Muitos amigos da cidade nos ajudaram.
Fomos recebidos com alegria pelas famílias que viviam do lixão de Registro.
Na verdade, foram elas que nos ajudaram a entender o real sentido do jornalismo e da solidariedade.
Para assistir a esta reportagem, acesse:
http://www.youtube.com/watch?v=8GrvvdkFl00
A justiça liberou o Youtube e não poderia ser diferente. Como privar milhões de uma ferramenta tão importante na divulgação de vídeos?
Aproveito para colocar os meus que não são impróprios para menores...rs
Tudo estava escondidinho em fitas no fundo do armário. As principais reportagens foram digitalizadas pelos amigos da produtora Procimar, aqui da capital paulista.
Dos arquivos próprio e de emissoras afiliadas nas quais trabalhei, aos poucos, ganham a rede.
Tenham certeza que cada trabalho foi feito com muito carinho.
Um beijo a todos,
Luciene
Obs.: Dedico esta postagem a uma amiga especial chamada Lu Melato.
O último texto do Manual.
Se alguém não se identificar com ele, que atire a primeira pedra...rs
24/12/2000
Capítulo IV
O começo
Todo começo é difícil. Na redação, você tenta se fazer útil e prestativo. Às vezes dá certo...outras não. Algumas pessoas dão o maior apoio. Afinal, lembram-se de que também já foram focas. Mas existem aqueles que, sem a menor cerimônia, fazem você se sentir a pior das criaturas.
O conselho é ficar na sua, sempre. Cumprir as tarefas que lhe são pedidas fazendo o seu melhor. Não peça conselhos para qualquer um. Espere. Conheça melhor o ambiente, as pessoas. Tem muita gente que pode interpretar a sua pergunta de forma errada. Confundir inexperiência com falta de confiança. Com o tempo, a sua intuição vai dizer quem são os melhores colegas para quem você deve pedir dicas.
Um recurso bom é observar. Mesmo se te atolarem de serviço, pare e olhe ao redor. Assim também se aprende e muito.
A vida de foca não é nada fácil. A gente sofre mesmo. Mas tudo passa. Para aliviar a sensação de incompetência que muitas vezes pode tomar conta de você, pense que os melhores da sua área também já passaram por tudo isso e superaram. Se você tiver mesmo um talento especial e confiar nele, muita gente da redação que chegou até a humilhar você vai aplaudir...escondidinho. Não espere elogios dentro do ambiente de trabalho. São raríssimos. Fora, sim. Principalmente da família. Ah, a família....Vai enaltecer tanto o seu trabalho, os seus êxitos, que você, muitas vezes, vai ficar constrangido.
No meu caso, foi bem assim. Os meus pais, que investiram tudo em mim, confiança e dinheiro durante a faculdade, ficaram deslumbrados. E não foi fácil trazê-los de volta para o planeta Terra. Mas, com o tempo, eles se acostumam. Sem deixar, é claro, de conferir sempre o meu trabalho como fãs ardorosos.
Mais uma parte do "Manual do aspirante à foca". Neste capítulo, a idéia era anexar modelos de currículos de acordo com a orientação de um profissional de Recursos Humanos. Quem sabe não aparece um voluntário que possa enriquecer este blog?
Beijos e até mais.
26-02-00
Capítulo III
A entrevista
Depois de ter conseguido um momento de palavra com o seu possível futuro chefe, você vai precisar “segurar a onda” e manter a calma até mesmo se estiver falando com o seu ídolo da profissão. Tenha em mente que, agora, essa pessoa não é mais um ícone, e sim um colega de profissão. Ser tiete não vai facilitar muito as coisas. Manter a sobriedade e a eloqüência é fundamental. No entanto, lembre-se: não tagarele. Fale somente quando a palavra for sua. Isso porque algo fundamental no jornalismo é saber ouvir. Ouvindo essa pessoa, você vai estudá-la e saber que tom deve usar durante todo o resto da conversa. Isto é, prestando atenção ao que ela diz, você vai saber se deve ser informal, formal, cordial, seco. Vai saber se terá muito tempo ou pouco para a “prosa”. Isso é muito importante. Você tem que planejar o tempo para falar o indispensável, ou seja, contar sobre as suas experiências profissionais anteriores. Não vale esmiuçar o passado. O que mais conta é a sua forma de explicar as coisas. Você deve saber que alguém com um discurso claro, objetivo, com seqüências lógicas de raciocínio é um forte candidato a ter um texto bom. Isso é avaliado em você.
Às vezes, o seu interlocutor não dá chances para você se expressar. Só fala sobre a empresa na qual tem um posto de responsabilidade. Esses são poucos, mas existem. Alguns até levam você para um passeio pelas dependências do lugar. Aproveite, então, para surpreender. Quando o falatório der uma brecha, entre de imediato. Tente impressionar, com o cuidado de não “ofuscar”.
Nunca deixe de levar o seu currículo (Lógico!). Ele deve ter, no máximo, duas páginas com seus dados pessoais, formação e experiência profissionais. Deve ser impecável. Não vale enfeitar muito, você não é designer ou publicitário. Papel branco, letras em preto com corpo tamanho 12 que é bem visível. Proteja-o com um pasta simples (do tipo que se grampeia na lateral esquerda) ou com um plástico para papéis.
É importante também levar o seu portfolio, isto é, um material selecionado por você com tudo que já produziu de melhor e que já foi publicado ou foi para o ar. Algumas reportagens já publicadas, fitas de vídeo ou cassete com o seu trabalho. Tenha certeza de que está entregando o seu melhor. Esse material deve estar bem apresentável também. Ele pode representar a sua contratação ou não. Pode parecer engraçado mas, muitas vezes, o currículo só é usado para consultar o número do telefone do candidato à vaga.